No Centro da Casa
Há um ponto na casa onde tudo parece convergir. Não é o maior cômodo, nem o mais iluminado. Mas é onde os passos diminuem, onde o vento muda de direção, onde o cheiro de madeira antiga é mais denso. Talvez não seja um lugar físico, mas uma sensação — um centro invisível que sustenta tudo ao redor.
No lugar onde o silêncio interior é mais profundo, o tempo parece hesitar antes de continuar seu fluxo. É um espaço de reflexão, onde a memória não chega apenas como lembrança, mas se manifesta como presença viva. Uma pausa poética no ritmo do mundo, onde o existir se revela em cada suspiro.
Hoje, ao escrever o vigésimo quinto sussurro desta casa, percebo que cada texto foi uma janela aberta para este centro. Algumas mais amplas, outras entreabertas. Cada história, um fio que me puxava para mais perto desse núcleo silencioso, onde as coisas não precisam ser ditas para serem sentidas.
O centro da casa não tem nome. Não precisa. Ele apenas está — escutando, guardando, oferecendo espaço para o que é leve demais para ser tocado, mas intenso o suficiente para nunca ser esquecido.
E talvez seja isso que A Casa Sussurra mais me ensinou: que há um centro em tudo — em nós, nos objetos, nas sombras, nos instantes — e que, às vezes, basta parar, respirar e escutar… para encontrá-lo.
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